A história da Copa do Mundo de Futebol da FIFA


A história da Copa do Mundo de Futebol da FIFA se iniciou em 1930, durante um congresso da entidade, quando Jules Rimet conseguiu a aprovação para criar um torneio internacional. A primeira competição ocorreu em 1930, tendo a participação de 13 equipes convidadas, tendo o Uruguai co

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história da Copa do Mundo de Futebol da FIFA se iniciou em 1930, durante um congresso da entidade, quando Jules Rimet conseguiu a aprovação para criar um torneio internacional. A primeira competição ocorreu em 1930, tendo a participação de 13 equipes convidadas, tendo o Uruguai como país-sede e como campeão. Com o crescimento da competição, hoje é necessário passar por uma etapa classificatória de dois meses de duração, que conta com a participação de aproximadamente duzentas seleções de países, para participar do campeonato.

 

Origem da competição

 
Jules Rimet convenceu as federações nacionais para criar a Copa do Mundo.

projeto de organizar uma Copa do Mundo começa na criação da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado) em 21 de maio de 1904. A FIFA, entidade máxima do futebol, foi fundada em Paris, na França e tem sua sede em ZuriqueSuíça. Em 1906, a primeira tentativa da edição, iniciada pelo líder neerlandês Carl Hirschmann estava prevista na Suíça, com quatro grupos de quatro seleções como uma primeira rodada haviam sido implementadas.[1] Mas no final das confirmações de inscrição para os dezesseis países convidados, em 31 de agosto de 1905, nenhuma federação confirmou sua participação e o projeto, naquele momento, foi abandonado. Com o estabelecimento de um torneio de futebol olímpico no ano de 1908, Hirschmann queria prosseguir com o reconhecimento desse torneio olímpico como o campeonato mundial de futebol amador. A ideia foi validada no Congresso da FIFA em 1914, mas a Primeira Guerra Mundial bloqueou a iniciativa.[2] Depois da Guerra, a FIFA mudou a sua atitude. Após a sua eleição como Presidente da FIFA, o francês Jules Rimet colocou tudo em vigor com o dirigente esportivo compatriota Henri Delaunay, para não mais reconhecer o torneio olímpico como o campeonato mundial de futebol amador, lutando para a criação de uma nova competição. Os Jogos Olímpicos de 1924 e 1928 puderam estabelecer um diálogo construtivo entre as formações da América do Sul e da Europa.

A Copa do Mundo pela FIFA proposta foi aprovada em uma conferência em Amsterdã, no dia 26 de maio de 1928, por vinte e cinco votos a favor e cinco contra, com uma abstenção.[3][nota 1] A organização da primeira Copa do Mundo foi então atribuída ao Uruguai no Congresso da FIFA, em Barcelona, 18 maio de 1929, para celebrar o centenário de sua independência, mas também porque a seleção havia sido campeã olímpica duas vezes, em 1924 e 1928.[4]

O ritmo da Copa do Mundo é fixo, alternando com os Jogos Olímpicos. Na época da criação da Copa, quase todas as equipes tinham a mesma formação nos Jogos Olímpicos e na Copa do Mundo, porque eles tinham um estatuto de amador. No entanto, a competição foi rapidamente se tornando profissional. Se a Olimpíada era para amadores, a FIFA reconhecia a Copa e aceitava as equipes que optavam pelo profissionalismo. Até hoje em dia, aliás, os objetivos e os valores divergem, a Copa do Mundo é aberta para todos, profissionais e amadores.[5] Muitos jogadores de futebol no mundo também, possuem dois empregos. É comum vermos atletas assim participando de Copas do Mundo juvenis, como sub-20 e sub-17.

Primeira Copa do Mundo (1930)

Ver artigo principal: Copa do Mundo FIFA de 1930
 
Uruguai campeão em 1930.

A primeira edição da Copa do Mundo foi disputada no Uruguai, em Montevidéu, no ano de 1930. Apenas treze equipes nacionais reuniram-se nessa ocasião, sendo que somente quatro países europeus atravessaram o Oceano Atlântico de navio para competir o torneio. BélgicaFrança e Romênia embarcaram num navio chamado "Conte Verde".[5] A Iugoslávia, por sua vez, embarcou no "MS Flórida." Outros países europeus recusaram em participar na Copa por razões financeiras e administrativas. Jules Rimet foi mesmo forçado a realizar uma turnê da França para convencer as autoridadesjogadores e empregadores para que a França não perdesse o lugar de primeira reunião global. Todos os outros países eram do continente americano. Havia duas equipes da América do NorteEstados Unidos e México. Os demais eram sul-americanos. As equipes da Argentina e do Uruguai, ambas invictas, jogaram a final.[6] Os dois países vizinhos sempre foram rivais e muitos argentinos compareceram em grande número para assistir ao torneio.[7] No entanto, a Celeste Olímpica, como ficou conhecida a seleção uruguaia após as conquistas das olimpíadas de 1924 e 1928, era a dona de casa e tinha uma grande vantagem por isso. O jogo ocorreu em 30 julho, no Estádio Centenário, que foi construído às pressas para o mundial. O Uruguai abriu o placar, mas a Argentina reagiu consecutivamente e marcou duas vezes para liderar por 2 a 1 até o final do primeiro tempo.[6] No entanto, na volta do intervalo, a seleção da casa voltou muito bem para o segundo tempo e virou a partida para 4 a 2, conquistando a primeira Copa do Mundo da história.[6]

Domínio italiano (1934–1938)

 
Angelo Schiavio marcando o gol do título do Mundial de 1934 para a seleção italiana.

Itália participou pela primeira vez da história da Copa em um clima de crise econômica e de ascensão do fascismo na Europa. O atual campeão, o Uruguai, não participou da competição que reuniu trinta e duas nações, dezenove a mais do que na primeira edição. A Itália foi também o país-sede do torneio. A fase preliminar, as eliminatórias, foram implementadas para reduzir o número de equipes participantes para dezesseis. Treinada pelo técnico Vittorio Pozzo,[8] a equipe italiana recebeu no Estádio Artemio Franchi, em Florença, a Espanha nas quartas de final. Depois de uma partida muito disputada, os dois times empataram por 1 a 1 e tiveram que repetir no dia seguinte o jogo para decidir a vaga na semifinal.[9] O jogador argentino naturalizado italianoLuis Monti, que havia jogado a final da primeira Copa do Mundo pela Argentina,[10] lesionou um jogador espanhol no início da partida. No segundo jogo, a Itália classificou-se ao vencer por 1 a 0 com um gol de Giuseppe Meazza, e assim pegaria a Áustria na fase seguinte. Contra os austríacos, a seleção italiana novamente venceu por 1 a 0 e se classificou para a final. Na outra semifinal, a Tchecoslováquia eliminou a Alemanha por 3 a 1. Na final da Copa, a Tchecoslováquia abriu o placar com Antonín Puč frente a Benito Mussolini e os muitos soldados presentes no Estádio do Partido Nacional Fascista, em Roma.[11][12] Porém, cinco minutos depois, a Itália empatou a partida com Raimundo Orsi e levou o jogo para a prorrogação. Com cinco minutos de jogo na prorrogação, Angelo Schiavio deu a vitória de 2 a 1 aos italianos frente aos tchecos, na primeira Copa do Mundo disputada no continente europeu.[12]

organização da Copa do Mundo FIFA de 1938 foi confirmada para a França. Trinta e seis países participaram das eliminatórias, não envolvendo InglaterraUruguai e Espanha. A última nação citada foi devastada pela guerra civil. A fase final foi jogada com quinze equipes, já que a Áustria desistiu de competir, porque estava ocupada pela Alemanha, por os Anschluss. Sendo assim, a Suécia, que seria adversária do país, avançou automaticamente para as quartas de final. Nas oitavas de final, Brasil e Polônia fizeram um jogo de onze gols em Estrasburgo, no qual a seleção brasileira precisou da prorrogação para ganhar dos poloneses por 6 a 5, já que o jogo nos 90 minutos tinha terminado 4 a 4. Leônidas marcou três vezes para o Brasil e Ernest Wilimowski quatro vezes para a Polônia.[13] A partida seguinte da seleção brasileira, nas quartas de final, também foi destaque, mas agora pela violência. Contra a Tchecoslováquia, a partida se transformou em uma batalha geral, que terminou com três expulsões e cinco feridos. Com o placar terminado em 1 a 1, não houve prorrogação, mas sim, uma segunda partida, em que o Brasil derrotou os tchecos por 2 a 1, para então, pegar a atual campeã nas semifinais.[14] A Itália, que havia passado por Noruega e França era favorita. E seu favoritismo foi concretizado com uma vitória por 2 a 1 e a vaga para a final estava assegurada. Na outra semifinal, a Hungria qualificou-se ao bater a Suécia pela goleada de 5 a 1. A final foi novamente vencida pelo time italiano, que bateu os húngaros por 4 a 2, com grande atuação de Silvio Piola e Gino Colaussi, que marcaram dois gols cada.[15][16] A equipe de Vittorio Pozzo foi a primeira a vencer a competição duas vezes consecutivas.

Interrupção e retorno da competição (1942–1950)

Em 1939, as federações da AlemanhaBrasil e Argentina se ofereceram para sediar a Copa do Mundo de 1942. O Presidente da FIFA, o francês Jules Rimet, viajou para a América do Sul para avaliar os projetos de Brasil e Argentina. Enquanto ele estava no Rio de Janeiro, as tropas alemãs atacaram a Polônia em 1º de setembro de 1939 e a Segunda Guerra Mundial começou. Os preparativos para a Copa do Mundo foram interrompidos antes da escolha do país anfitrião. Devido à Segunda Guerra, não houve Mundial em 1942 e 1946.[17]

 
Uruguai campeão em 1950.

No Congresso na cidade de Luxemburgo, em 25 de julho de 1946, foi decidido que a quarta Copa do Mundo, em 1950, seria realizada no Brasil.[18] Pela primeira vez na história da competição, a Inglaterra participou das eliminatórias, onde trinta e três países competiram. Por outro lado, muitas equipes nacionais não participaram da edição inaugural pós-guerra da Copa, como ÁustriaBélgicaArgentinaPeru e Equador, que desistiram de disputar as eliminatórias. No Estádio do Maracanã, construído para o evento, 150.000 espectadores se reuniram para assistir ao jogo decisivo do grupo 1 entre Brasil e Iugoslávia. Com uma vitória por 2 a 0, a seleção brasileira se qualificou para a fase final.[19] Nos grupos 2, 3 e 4, classificaram-se EspanhaSuécia e Uruguai, respectivamente. O Uruguai aplicou uma goleada de 8 a 0 na Bolívia,[20] sendo a maior da Copa de 1950 e uma das maiores de todas as Copas.

 
Jogo de inauguração do Estádio do Maracanã, pouco antes da Copa do Mundo de 1950. Arquivo Nacional.

Essa Copa do Mundo foi a única que não teve uma final. Na última fase, disputaram o título Brasil, Espanha, Suécia e Uruguai, que venceram seus grupos na primeira fase. Os brasileiros começaram a fase final excelentemente bem, goleando a Suécia por 7 a 1[21] e a Espanha por 6 a 1.[22] Seu último adversário foi o Uruguai, que havia empatado com a Espanha e ganho da Suécia. As duas equipes se enfrentaram no Maracanã em 16 de julho de 1950, frente a quase 200.000 pessoas.[carece de fontes] O Brasil precisava apenas de um empate, enquanto o Uruguai precisava vencer para ser declarado o vencedor da competição. A defesa uruguaia conteve a ofensiva brasileira que já havia marcado treze gols na fase final e o placar ficou 0 a 0 no primeiro tempo.[23] No início do segundo período, o Brasil marcou com Friaça. Aos 21 minutos, Juan Alberto Schiaffino empatou para o Uruguai e aos 34, Alcides Ghiggia virou o jogo para a Celeste Olímpica.[24] O Brasil perdeu a Copa do Mundo em casa, na maior decepção da história do futebol brasileiro.[25] A equipe uruguaia foi campeã do mundo pela segunda vez.[26] O artilheiro da competição foi Ademir de Menezes, que mantém até hoje a marca de maior goleador do Brasil em uma única Copa do Mundo, com nove gols marcados.[27]

O Milagre de Berna (1954)

Ver artigo principal: Copa do Mundo FIFA de 1954
 
Estátua dos cinco jogadores nascidos no distrito de Kaiserslautern campeões com a Alemanha Ocidental em 1954.

A edição de 1954 do Mundial foi realizada na Suíça. O time da Hungria era o favorito do torneio. Também chamado de O Time de Ouro, a seleção encantou o futebol mundial com seu talento e confirmou seu status de favorita durante os primeiros jogos da competição, vencendo a Coreia do Sul por 9 a 0 e a Alemanha Ocidental por 8 a 3.[28] Apesar da derrota histórica, os alemães ocidentais passaram de fase. Também se classificaram para as quartas de final o BrasilUruguaiInglaterraIugosláviaÁustria e Suíça. O Uruguai, atual campeão, eliminou a Inglaterra por 4 a 2 e pegou a Hungria numa semifinal, já que os húngaros venceram o Brasil, também por 4 a 2, num jogo que terminou com três expulsões.[29][30] Nas outras partidas, a Alemanha Ocidental derrotou a Iugoslávia por 2 a 0 e a Áustria eliminou a Suíça, dona de casa, por 7 a 5, depois de estar perdendo por 3 a 0. Nas semifinais, a Alemanha Ocidental derrotou a Áustria de goleada por 6 a 1 e a Hungria, favorita da competição, eliminou o Uruguai, atual campeão, por 4 a 2 na prorrogação, pois o jogo nos 90 minutos havia acabado 2 a 2.[31] A decisão aconteceu em 4 de julho de 1954, em Berna. Hungria e Alemanha Ocidental reeditaram o jogo que fizeram na primeira fase, com a Hungria amplamente favorita, já que estava há 4 anos sem perder uma partida. O Time de Ouro começou a final de forma sensacional, com Ferenc Puskás e Zoltán Czibor abrindo o placar aos 6 e aos 8 minutos do primeiro tempo, respectivamente. Era esperada mais uma goleada da seleção húngara, mas a Alemanha Ocidental reagiu imediatamente, com Max Morlock aos 10 e Helmut Rahn aos 18 minutos, empatando o jogo ainda na primeira etapa. Num segundo tempo muito disputado, Helmut Rahn marcou o gol decisivo para os alemães ocidentais, que venceram a final por 3 a 2, num jogo que ficou conhecido como O Milagre de Berna.[32] A competição foi um sucesso, com um total de 943.000 espectadores assistindo o torneio das arquibancadas. Em termos desportivos, o saldo também foi muito bom, uma Copa do Mundo muito ofensiva, com uma média de 5,4 gols por jogo.

Brasil vitorioso (1958–1962–1970)

 
Da esquerda para a direita: Djalma SantosPelé e Gilmar após o título do Brasil na Copa de 1958.

A sexta edição da Copa do Mundo, em 1958, foi na Suécia. A União Soviética fez a sua primeira aparição na competição. A edição foi marcada pelos fracassos de Itália e Uruguai, bicampeões mundiais que não conseguiram se classificar para o torneio. Inesperadamente, a equipe da França surpreendeu por seu jogo ofensivo.[33] O progresso dos jogadores franceses parou nas semifinais, quando o Brasil os venceu por 5 a 2, com os três últimos gols marcados pelo jovem Pelé, de apenas 17 anos.[33] Na outra semifinal, a Suécia, em casa, se classificou para a final ao derrotar a atual campeã, a Alemanha Ocidental. Na final da competição, o Brasil saiu perdendo dos donos da casa, mas ganhou por 5 a 2, com dois gols de Vavá, dois de Pelé e um de Zagallo.[34] Com treze gols, o francês Just Fontaine foi o artilheiro da Copa, com o dobro de tentos de Pelé e do alemão ocidental Helmut Rahn, que marcaram seis gols cada.[35]

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